terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Força-tarefa ignora recesso de Natal e trabalha para atender denúncias contra João de Deus


A força-tarefa do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) que apura denúncias contra João de Deus segue trabalhando mesmo durante o recesso de Natal para atender às mulheres que relatam terem sido abusadas por ele ao procurá-lo para tratamento espiritual. Segundo a promotora Gabriella Clementino, o órgão se preocupa em acolher essas vítimas e tem até o próximo domingo (30) para protocolar a primeira denúncia contra o investigado, que está peso. O médium nega todas as acusações. Ainda conforme Clementino, o momento é considerado propício para colher esses depoimentos. “A nossa preocupação, o que nos move a trabalhar nesse período, é acolher as vítimas nesse momento que em que estão se sentindo encorajadas a falar sobre o que aconteceu. Todo esse momento das vítimas falando, de divulgação, as incentiva a vir relatar”, completou. A promotora contou ainda que as mulheres que vão ao MP-GO denunciar os abusos são ouvidas na presença de uma psicóloga. Ela disse que, após os depoimentos, elas são encaminhadas para atendimento psicológico no SUS para iniciarem, se desejarem, tratamento terapêutico. Conforme as denúncias, os abusos ocorriam dentro da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, Goiás. O espaço existe há 45 anos e é onde o médium fazia os atendimentos espirituais. Clementino contou que muitas mulheres que procuram o MP contaram que foram abusadas quando estavam em uma situação de vulnerabilidade. “É assustador, mas essa questão de buscar vítimas vulneráveis seria no sentido de procurar pessoas que não iriam reagir nem no momento em que a violência acontecia nem depois. Muitas eram pessoas que teriam algum descrédito social, por terem alguma dificuldade mental ou alguma doença”, afirmou. O promotor Luciano Miranda, que também faz parte da força-tarefa do MP-GO, avaliou as semelhanças nos depoimentos registrados e comentou que as vítimas se sentiam impotentes para falar sobre os casos.
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