sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Especialistas sugerem que virada eleitoral entre candidatos pode acontecer em setembro


O alto índice de eleitores sem preferência por candidatos ou partidos eleva as expectativas sobre uma reviravolta na intenção de votos a um mês e cinco dias das eleições (o primeiro turno se dará no dia 7 de outubro, num domingo). Segundo diretores de institutos de pesquisa e cientistas políticos, as chances de uma mudança no cenário político são grandes, a exemplo do que ocorreu em eleições passadas para a Presidência da República e governos estaduais. Os especialistas em eleições e pesquisas concordam que esta disputa deste ano é praticamente nova, sem conhecimento algum de como o eleitor vai reagir nas urnas.
A população não quer definir o voto agora devido a influência da situação socioeconômica brasileira e moral, devastada pelas constantes revelações da Operação Lava Jato — na Justiça Federal em Curitiba (PR), no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Polícia Federal (PF) — sobre personagens carimbados que militam há anos no Congresso Nacional, avalia o cientista político goiano Servito Meneses, professor aposentado na Universidade Federal de Goiás (UFG).
Este cenário reflete a inquietude dos candidatos durante a campanha em não entender o que espera o eleitor que está afastado da política. Em Goiás, os candidatos ao governo do Estado iniciaram a campanha pelas tradicionais carreatas nas cidades, debates nos veículos de mídia e alguns comícios com os postulantes das chapas majoritárias. Este périplo em busca de entender as demandas do eleitor tem o objetivo de subir nas pesquisas de intenção de voto. As equipes dos candidatos se esforçam para esquadrinhar as estratégias de campanha que os levarão a tão esperada reviravolta — ou manutenção de uma posição — no cenário eleitoral.
O diretor de pesquisas do Instituto Grupom, Mário Rodrigues, condiciona a volta na roda gigante do cenário goiano quando os candidatos entenderem que os eleitores mudaram radicalmente nos últimos quatro anos, quando aconteceu a última eleição majoritária no Estado. “Todo mundo procura um candidato honesto e por isso não vai definir o voto agora”, explica. A tal roda gigante vai se mover após dez dias de propaganda eleitoral gratuita na televisão e rádio. “É onde todo candidato está apostando, na TV e nas pílulas. Para o Legislativo estadual, praticamente 10% dos eleitores têm definido o seu voto e 8% definiram candidatos à Câmara dos Deputados.”
O professor titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da Universidade de São Paulo (USP) Gaudêncio Torquato desenvolveu uma fórmula utilizada pelos candidatos na produção de conteúdo eleitoral durante as campanhas. Trata-se da “Bobacor”: bolso cheio, barriga cheia, coração agradecido e cabeça feita. O renomado consultor político e eleitoral explica que os eleitores buscam esses valores nos discursos dos candidatos e, quando identificam, acabam por votar em figuras que seguiram sua equação. Para Gaudêncio Torquato, a virada eleitoral depende do candidato que conseguir transmitir ao eleitor os valores necessários para o momento político. Em 2018, ele aponta, principalmente, a geração de emprego e renda como discurso de impacto a ser usado pelos concorrentes ao Planalto.
Com a propaganda eleitoral gratuita no horário televisivo e rádio, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) tem chances de recrutar mais eleitores que seus concorrentes, pelo maior tempo de exposição, se conseguir usar o espaço de forma criativa e seduzir a população com propostas que atendam as demandas de emprego, segurança pública e saúde.
Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal de Goiás (UFG) Robert Bonifácio, a cultura do eleitor brasileiro é muito personalista e explica a vantagem do senador Ronaldo Caiado (DEM) nas pesquisas de intenções de voto. O candidato do DEM a governador tem mais tempo de trajetória política que os adversários e seu nome ocupa a memória dos eleitores.
A mudança de posição dos candidatos no cenário goiano, que podem conquistar mais eleitores e experimentar uma subida no ranking de pesquisas, pode acontecer de acordo alguns fatores, explica Servito Meneses. “O candidato que lidera as intenções de voto pode cometer algum deslize de discurso ou falha na estratégia da campanha e acabar caindo alguns pontos. Quem está em segundo e terceiro lugar pode encontrar o caminho de discurso e proposta que o eleitor quer e, conseguindo incorporar esse anseio da população, ganhar mais pontos para chegar ao segundo turno.”
Os fatores indicados por Servito Meneses geralmente acontecem com um candidato uma ou duas posições abaixo do líder nas pesquisas. O postulante consegue mostrar a relevância de suas propostas à população ou receber capital político de seus padrinhos. O professor explica que o candidato do MDB ao governo estadual, Daniel Vilela, tem chance de mudar a tabela por meio de seus dois padrinhos: o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), e o ex-governador de Goiás Maguito Vilela (MDB) — que é seu pai. Daniel Vilela também pode encontrar o caminho correto para conquistar o eleitor por meio de propostas, o segundo fator apontado pelo mestre da UFG.
O governador de Goiás José Eliton (PSDB) — que disputa a reeleição — também pode contar com o apoio de dois políticos para sair da estagnação nas pesquisas. Servito Meneses explica que José Eliton tem uma vantagem a mais do que seus principais concorrentes, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela: o legado de obras e programas sociais da gestão de Marconi Perillo (PSDB), do qual foi vice-governador por quase oito anos, além de implementar outros projetos nos últimos meses de mandato. José Eliton tem o ex-governador Marconi Perillo e a senadora Lúcia Vânia (PSB) como padrinhos.
Na tese de Servito Meneses, Ronaldo Caiado tem apenas os projetos de governo para se manter ou ganhar mais pontos com a população. O senador não tem padrinhos políticos em sua coligação. Os políticos que o acompanham são “menores” em termos de força política — como Adib Elias, prefeito de Catalão, Wilder Morais, senador que era suplente, e Lincoln Tejota, que só disputou eleição até deputado estadual. A política mais sólida que o apoia, a deputada federal Flávia Morais — a terceira mais bem votada na eleição de 2014 —, não quis figurar na sua chapa majoritária. Preferiu concorrer à reeleição.
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