quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Iris Rezende joga com Daniel Vilela pensando em atrai-lo para o “aliado” Ronaldo Caiado




Em política há um truísmo: ninguém engana ninguém. Por vezes, não se sabe por quê, há quem se deixa enganar. Mas aqueles que estão sendo ludibriados não são inocentes, porque inocentes não sobrevivem na política por muito tempo. A política é um espaço para raposas. Só elas sobrevivem. O que a explica a longevidade política tanto do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), quanto do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), é a capacidade de perceber o rumo dos ventos, quer dizer, dos acontecimentos.
Henrique Santillo travou uma guerra visceral com Iris Rezende, mas não se tornou vencedor. Marconi Perillo derrotou Iris Rezende três vezes diretamente e, em termos indiretos, cinco vezes. Tornou-se hegemônico na política de Goiás exatamente por vencer um político que foi governador por duas vezes, senador, ministro e quatro vezes prefeito da capital.
Marconi Perillo conseguiu derrotar Iris Rezende, e seus aliados, porque conseguiu mapeá-lo inteiramente — tanto suas virtudes quanto seus defeitos políticos. Já o peemedebista não conseguiu “decifrar” o tucano de maneira ampla. Por isso tornou-se, por assim dizer, sua presa. Até sua presa preferida. Fica-se com a impressão de que Iris Rezende é um “quadro fixo” e Marconi Perillo é um ser “mutante”, de difícil apreensão.
Como gestor, Iris Rezende é um homem do passado e, como tal, não tem sintonia com a Goiânia moderna, com os goianienses, que são cada vez mais cosmopolitas. Ele sagrou-se vitorioso porque, como o ex-prefeito Paulo Garcia estava com a imagem desgastada, os eleitores acreditaram que era preciso eleger um gestor comum, para, não “inventando”, fazer o básico. Como o petista havia sido eleito com uma proposta moderna — resumida na palavra “sustentabilidade” —, mas com resultados não aprovados pela sociedade, os eleitores não queriam nenhum prefeito moderno “demais”. Queriam apenas uma cidade limpa e com serviços funcionando de maneira adequada.
A decepção atual nem é por que Iris Rezende não consegue, e nem quer, ser criativo e moderno. Os goianienses estão insatisfeitos porque o prefeito não consegue fazer o básico. Converse com qualquer motorista da Uber e pergunte sobre as ruas dos bairros. Estão esburacadas e a operação tapa-buraco, de tão mal feita, é um desperdício de recursos financeiros e mão de obra. Na saúde chegou a hora de se declarar calamidade pública. Não fosse o atendimento qualitativo das unidades do governo do Estado — como Hugo, Hugol, HDT, Crer, HGG —, o Ministério da Saúde, se acionado pelo Ministério Público Federal, teria de estudar uma forma de decretar intervenção nos cais da cidade. Os recursos chegam todos os meses, mas não são aplicados de maneira adequada. A secretária da Saúde, Fátima Mrué, fala em mudar paradigmas — palavra que se tornou um “fecha-se, Sésamo” —, mas parece não entender praticamente nada de gestão e planejamento. O que precisa “mudar” mesmo — ser trocado — é um paradigma chamado Fátima Mrué. E, claro, Iris Rezende, o patrono da secretária.
Quando aliados questionam a má qualidade da gestão, a falta de auxiliares que norteiem a gestão pública, Iris Rezende simplesmente afirma que em 2018 tudo será diferente. O prefeito diz que terá dinheiro para… fazer asfalto e restauras ruas. Noutras palavras, mais do mesmo. Revolução na saúde? Não se fala disso. Se há uma palavra que define Iris Rezende hoje é involução.
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